08/11/2009

Eu na Claudia Bebê que está nas bancas

Ninguém me disse que era assim

Com suas necessidades, graças e descobertas, os filhos renovam nosso olhar sobre as coisas e ensinam que ser mãe é se reinventar um pouco a cada dia. Bem-vinda a esse clube de mutantes, descrito pela cronista e publicitária Magali Moraes, mãe de Rafael, 13 anos, e de Fabio, 9 anos.

Alguém disse para você que a maternidade é dividida em antes e depois do parto? Para início de conversa, vamos deixar claro que o período antes do parto não se resume aos nove meses de gravidez. Mulheres ensaiam a maternidade com as primeiras bonecas e seguem fantasiando, ao longo de décadas, que tipo de mãe serão. Muitas escolhem o nome dos futuros filhos (e até mesmo quem vai ser a madrinha) antes mesmo de conhecer o pai das crianças.
Do exame positivo às contrações, o tempo passa numa fração de segundos. Precisamos comprar roupinhas (e achar roupa bonita para gestante), passar galões de óleo de amêndoas na barriga, selecionar os conselhos que serão usados, fazer convites do chá de fralda e descobrir por que o bercinho não foi entregue.
Depois do parto, as fichas caem feito um caça-níqueis premiado em Las Vegas. Ninguém contou para você que um bebê tinha capacidade pulmonar para chorar tanto e, aparentemente, sem motivo. É aí que a maternidade começa. Agora, você vai ter a preciosa oportunidade de comprovar na prática toda a teoria de sonhos.
O corpo muda, assim como a rotina, as atitudes, as prioridades, o humor. Nenhuma crise mundial é mais séria do que a cólica. A economia passa a ser regida pela cotação da fralda noturna extra plus comfort dry. A indústria cinematográfica é repudiada ao lançar filmes contendo maus-tratos infantis. Ok, você não tem mais tempo de ir ao cinema, mas quem quer ser um milionário e ver criancinhas sofrendo daquele jeito?! Você quer enxergar o mundo cor-de-rosa (ou azul clarinho, dependendo do sexo). E se o bebê herdar justamente seu maior defeito (o dedo torto do pé), você até vai achar que, nele, é fofinho.
Outra característica que surge depois do parto: a modificação do seu círculo de amizades. Amigos antigos, porém com o grave defeito de não ter gravidez no currículo, serão deixados em banho-maria. Um ímã invisível (ou o cheiro de Hipoglós?) vai atrair outros casais com filhos, numa espécie de seita na qual todos se entendem e ninguém repara se o leite vazou.
As gracinhas infantis monopolizam a conversa. Para não esquecer nada, você fotografa, filma, anota tudo. E, quando chega sua vez de contar, a pracinha vira palco. Meryl Streep incorpora e... palmas para as últimas do bebê!! É importante observar que depois do parto o cuti-cutismo vira idioma oficial da casa, paciência. Ainda no setor da comunicação: se antes do parto você não pronunciava a palavra “cocô” em público, prepare-se para narrar diarreias, arrotos e puns como um Galvão Bueno pediátrico em final de campeonato, até na frente das visitas.
A amamentação dá adeus a qualquer timidez. Para saciar a fome do bebê, você não hesita em levantar a blusa e mostrar o peito em pleno corredor do shopping. Caso apareça a barriga fora de forma, encare como uma missão humanitária: as garotas que um dia terão filhos precisam ver mães de carne e osso em ação. Senão elas vão idealizar que é facílimo parir e emagrecer feito a Claudia Leitte – já reparou que as mães-celebridade adoram contar que “secaram” em tempo recorde, exibindo abdomens irritantemente sarados antes do umbigo do bebê cair?
Depois de virar mãe, comemos o restinho da papinha com peninha de colocar no lixinho (e, assim, engordamos mais um pouquinho). Por maior que seja o cansaço, mesmo à beira da estafa, acordamos no meio da noite quantas vezes for necessário. E continuamos assim depois que eles crescem. Babamos tanto pela cria que algum desavisado pode achar que é a nossa gengiva que está rompendo para vir dentinho. E as caretas ridículas, as cantorias desafinadas? Sim, vale qualquer mico em troca de uma risada gostosa.
A maternidade também provoca insanidades na volta ao trabalho. Conheço mães que se negam a ter o logotipo da empresa como fundo de tela no computador – não com tantas fotos lindas no pen drive! Nós somos capazes de chorar junto na hora de tomar vacina. E de deixar todas as televisões da casa serem monopolizadas por canais infantis (aceite o convite para assistir pela milésima vez o mesmo desenho e veja que uma criancinha é capaz de decorar todas as falas de todos os personagens).
É, minha amiga, ninguém disse que ia ser fácil criar um filho, ainda mais botar o fofo de castigo. E não voltar atrás, mantendo a firmeza. Até esses momentos deixam saudade. Mas pode ter certeza de que, sempre que o telefone tocar, você vai largar tudo e atender com aquele tom de voz açucarado. Não importa se o seu bebê estiver com dois anos ou vinte.
O tempo, que espicha a contragosto nossas crianças e faz nascer bigodes e peitinhos, também mostra que as fases seguintes são igualmente mágicas. Acompanhar o crescimento de um filho (apesar de ver que o dedo torto do pé ficou ainda mais parecido com o seu) é um presente dos deuses. Como faz bem perceber que seu bebê virou uma pessoa educada e responsável (liste os elogios que quiser). Dá orgulho e, mais do que isso, alívio – mesmo sem manual, nós conseguimos!
Antes e depois do parto se tornam uma deliciosa nostalgia. Daqui para a frente, você vai seguir sendo solicitada. Prepare-se para estar a postos antes do primeiro dia de aula e depois (pontualmente), na hora da saída. Antes da prova de biologia e depois da nota baixa. Antes do primeiro beijo e depois de um fora. Antes do novo emprego e depois que eles saírem de casa. A vida nem sempre vai ser generosa, até os adultos engatinham às vezes.
Ainda bem que nós, mães, somo fortes como muralhas. Temos colinho liberado, um coração recheado de amor, o conselho certo na hora certa – além de estoque de band-aid e bolo de chocolate. Os filhos seguem os seus caminhos sabendo que podem contar sempre com a gente. Antes, depois e principalmente durante.

Nova crônica para o site do Bourbon Shopping

Devagar e sempre

Acho que dezembro sofre injustamente. Chega apressado, sai esbaforido. E o Natal, no meio disso tudo! Se a gente se preparasse melhor em novembro, daria para curtir o último mês do ano em grande estilo, não na grande correria que acaba sendo.
Para combater o fast food, inventaram o slow food. O movimento foi ganhando tantos adeptos que logo surgiram versões para desacelerar as cidades, as viagens, o sexo. A moda também tenta diminuir sua ansiedade natural. O fast fashion, expressão criada para mostrar a rapidez com que as últimas tendências das passarelas aparecem nas vitrines dos grandes magazines, ganhou um contraponto: o slow fashion, que busca peças mais duradouras e atemporais. É o consumo consciente, e precisamos nos adaptar aos novos tempos.
Essa onda slow motion, muito mais que modinha, é um desejo contemporâneo de respirar e aproveitar melhor a vida. Você sabe que todas as ações automatizadas (casa-trabalho, trabalho-casa) nem chegam a ser registradas pelo cérebro, o que dá aquela sensação incômoda do tempo passar voando. O atropelo impera. Até a velocidade da informação começa a ser questionada e os próprios internautas querem slow information.
Então por que não lançar o slow Christmas? Dezembro merece ser tratado com mais pompa e circunstância. O peru, coitado, morre de véspera. Nós podemos usar a cabeça (e o mês de novembro) para saborear os preparativos do Natal. Montar a árvore com antecedência ajuda a esticar a data. Espalhar pela casa enfeites fofos dá um clima gostoso e festivo. Fazer as listinhas com calma, comprar os presentes pesquisando melhor os preços. Programar os encontros com os amigos, abraçar por um tempinho a mais quem é especial na nossa vida. Assim, devagar e sempre, vamos nos preparando e curtindo cada momento. A celebração requer paz de espírito. Não precisa ser a mesma gincana de sempre.
Repita comigo: slow down... slow down... slow down... slow down...




06/11/2009

Ultra power white

Eu precisei tomar uma providência em relação à enxurrada de dentistas nos comerciais de TV. Decidi fazer clareamento e acabar com essa conversinha de dentes mais brancos. Vou clarear os meus na marra. Se eu sobreviver à sensibilidade (Sensodine, o grande culpado do reality show dentário), voltarei a comprar pasta de dentes como uma pessoa normal. Sem aquela angústia de escolher entre quem dá proteção 24h ou 48h ou clareia até a língua ou remove as sujeiras mais difíceis (isso não era Vanish que prometia?). Não quero usar uma pasta que alcança o sininho da garganta, me sinto invadida.
Antes era tão simples escovar os dentes. Questão de minutos. Depois que colocaram dentistas e seus jalecos brancos no ar, a coisa complicou. Colgate deixou todos nós, consumidores limpinhos, com o gosto amargo da dúvida. Parece que nunca vai ser suficiente a pasta escolhida. Sem falar nas variações de fio dental e no repugnante limpador de língua.
Voltando ao clareamento, inicio segunda-feira. Deseje-me sorte. E não me convide para saborear uma deliciosa salada de beterraba. Também estarei momentaneamente afastada de expressos e capuccinos. Chocolate preto idem, o que até ajuda. Em 15 dias, terei dentes ultra power fucking white. E seguirei mudando de canal ao ver um consultório de dentista enquadrado na telinha.

05/11/2009

Os inspiradores

Tem pessoas que expiram e tem outras que inspiram. Na medida do possível, afaste-se das primeiras. Elas só vão expelir banalidades em você. Mas quando estiver perto de alguém inspirador, abra seus pulmões e aproveite ao máximo.
Ontem eu conheci um belíssimo exemplar. A gente sabe quando está ao lado de uma pessoa inspiradora quando, no meio da conversa, deseja ter 3 pulmões de tanta coisa pra absorver. Dá vontade de esticar o assunto, de perguntar mais, de também ter 3 ouvidos pra captar cada palavra, o olho que brilha, a mão que gesticula e contagia.
Quem inspira os outros tem um papel importantíssimo no ecossistema do dia a dia. São eles que deixam tudo mais leve, divertido, inteligente, espirituoso. Aos inspiradores, que tornam a vida bem mais interessante, o meu obrigada!

04/11/2009

Percepção e realidade

Ontem, ouvi a frase mais inesperada do mundo...
-Mãe, tu podia abrir um restaurante!
Eles não se referiam à minha visão empreendedora, nem faziam um brainstorming sobre novos negócios. A frase acima foi um elogio para a minha comida ou, numa definição mais condizente com a realidade, o que produzo na cozinha.
Achei muito, muito engraçado. Há um ano eu nem tocava nas panelas e me orgulhava de comer fora SEMPRE que a Dodô, musa dos temperos, não vinha. Eu era a promoter das telentregas.
Esse elogio tão verdadeiro, feito de boca cheia, me fez pensar em outra grande verdade: a percepção é bem diferente da realidade em si. Uma jantinha básica, se feita com carinho, pode parecer um banquete.
Na memória dos filhos, existe um espaço reservado para os quitutes da mãe. É como uma sala vazia que espera um sofá. Os filhos precisam preencher esse espaço com aromas e sabores maternos, nem que seja com a marca da lasanha congelada que só a mami sabia escolher.
Sem essas lembranças gastronômicas, a memória pode roncar de fome anos depois. E nenhuma mãe quer isso para seus filhos. Era assim no século XVI e provavelmente vai continuar sendo em 2055.

ilustração from cargocollective.com

03/11/2009

Espera

Atenção Vivo, Claro, Tim, Oi, GVT (ainda existe GVT?).
Vou dar uma ideia sobre um produto que vai fazer o maior sucesso no mercado, é de quem se ligar primeiro: vocês podiam ajudar quem está esperando o celular tocar. Simples, hein? Mas promissor. Uma mina de ouro.
Eu faço parte desse grupo de ansiosos que carregam o celular até para o chuveiro (conferindo se não está no silencioso e se tem bastante risquinho de carga). Posso falar com propriedade, não são apenas adolescentes apaixonadas que agem assim.
Quem espera o celular tocar por motivos mais justificáveis como uma resposta de emprego, automaticamente entra em outra dimensão de tempo (lá, onde as horas se arrastam e os dias se transformam em semanas). Então só nos resta olhar para o celular com súplica, desejando que a força do pensamento colabore.
Mas vocês, empresas de telefonia móvel, poderiam ajudar. De alguma forma, fazer o celular tocar agora logo de uma vez. Quem sabe dando leves choques em quem está devendo a resposta e não liga – ao pegar o celular, essa pessoa esquecida é levemente eletrocutada e se dá conta de que tem alguém esperando uma importante ligação. Ou vocês podiam enviar torpedos gentis, com mensagens de apoio tipo “calma, ele só está ocupado”. Podiam inclusive mandar pra gente uma foto dessa pessoa ocupada, pra não restar dúvida.
Mas façam alguma coisa, senão vocês vão perder terreno para os emails, twitters e facebooks onde o povo se ajuda. Eu sei que as boas notícias chegam de todas as partes, quando menos se espera. Só que ainda não inventaram coisa melhor do que ouvir a voz de alguém dizendo “vem”.

30/10/2009

Escadaria emocional


Achei genial. Cada um dos 112 degraus é pintado de uma cor e expressa uma emoção. Deve ser mulher que fez isso, pra nomear tantos sentimentos.
from notcot.org